O desenvolvimento de estratégias integradas para a recuperação de contaminação por LNAPL (Light Nonaqueous Phase Liquid – líquido em fase não aquosa e menos denso que a água) em cenários de alta complexidade foi objeto de um estudo desenvolvido pela Cetrel, que avaliou o desempenho de diferentes tecnologias de remediação em condições operacionais restritivas. O trabalho, apresentado na Battelle Conference 2026, realizada no primeiro semestre de 2026, nos Estados Unidos, detalha os resultados de um teste piloto multi-técnicas executado em uma área industrial com severas restrições de infraestrutura. De autoria dos especialistas André Pozzetti, André Luís de Souza, Majhal Bueno Pinheiro, Nádia Carolina Matsukura Hoffman e Pedro Leonardo Rosado, da Cetrel, a pesquisa integrou o conjunto de três trabalhos da companhia selecionados para os debates oficiais do evento.
Segundo os autores, o objetivo do trabalho “Soluções Integradas para Remediação de LNAPL: Resultados de um Teste Piloto Multi-Técnicas em uma Área Industrial” foi comparar o desempenho de múltiplas tecnologias sob as mesmas restrições de campo para identificar a abordagem mais eficaz e operacionalmente viável, visando aumentar a recuperação de massa de (LNAPL) e subsidiar o projeto de engenharia em escala real.
O desafio da remediação de fontes de LNAPL
Áreas industriais com passivos ambientais antigos frequentemente apresentam o LNAPL como uma fonte de contaminação persistente. Esse cenário decorre de históricos de vazamentos e da presença de infraestruturas subterrâneas desconhecidas, fatores muitas vezes agravados pela baixa permeabilidade dos solos heterogêneos, que limitam a condutividade hidráulica. Além disso, a operação de longo prazo de sistemas convencionais de bombeamento e tratamento (pump-and-treat) tende a atingir um limite de eficácia, deixando uma zona de fonte residual de LNAPL distribuída tanto na zona saturada quanto na franja capilar.
No caso estudado, a existência de restrições físicas severas aumentava a complexidade do projeto, incluindo uma laje de concreto no piso industrial e possíveis redes de utilidades subterrâneas diretamente sobre a área-alvo, além de um poço de pump-and-treat e uma barreira hidráulica já em operação no local.
Para superar essas limitações, a engenharia da Cetrel estruturou um arranjo conceitual de teste piloto integrando poços e sensores distribuídos de forma estratégica através do perfil do subsolo, que compreende a zona vadosa (não saturada), a franja capilar e a zona saturada. O sistema foi composto por poços de injeção para vapor e surfactante, poços de extração por Fase Dupla (DPE), poços de monitoramento para controle de água subterrânea, LNAPL e vapores, além de termopares colocados em profundidade para monitorar a temperatura do meio.
O teste piloto foi executado em cinco fases sequenciais e complementares:
Fase 1: utilizou a Extração de Vapor do Solo (SVE) para avaliar a remoção de massa de vapor e a propagação do vácuo.
Fase 2: aplicou a Extração de Fase Dupla (DPE) para mensurar a captação simultânea de vapores, LNAPL e água subterrânea.
Fases 3 e 4: avaliaram o aprimoramento térmico de baixa temperatura, aplicando calor na zona vadosa e na zona saturada para aumentar a mobilidade do contaminante.
Fase 5: utilizou a lavagem por surfactante para potencializar a mobilização do LNAPL sob condições hidráulicas controladas.
Principais resultados
Os resultados do teste piloto quantificaram a recuperação relativa de massa, sendo:
- SVE: 15–25%
- DPE: 75–100%
- Térmica Baixa (Vadosa): 40–60%
- Térmica Baixa (Sat.): 10–30%
- Lavagem por Surfactante: 50–80%
Neste estudo, os resultados na zona vadosa foram influenciados pela reoperação e continuação da aplicação de calor; e como um mecanismo de mobilização, apresentou melhor desempenho quando combinado com extração.
Na discussão sobre os resultados, a Extração de Duas Fases (DPE – Dual Phase Extraction) apresentou a resposta integrada mais forte porque combina a recuperação nas fases de vapor e líquida, promove a mobilização de LNAPL aprimorada por vácuo, aumenta a recuperação de água subterrânea e LNAPL em comparação com o bombeamento convencional e se alinha melhor com o comportamento da zona de fonte.
Por outro lado, a tecnologia térmica baixa foi limitada devido à propagação localizada do calor, ao fluxo de vapor e à instabilidade de pressão que reduziram a eficiência do aquecimento, além de camadas de baixa permeabilidade e da infraestrutura que limitaram a distribuição térmica, sendo o aquecimento na zona saturada particularmente limitado.
Já a lavagem por surfactante mostrou-se promissora, mas condicional, uma vez que a injeção foi estável, sem evidências de fraturamento ou criação de caminhos preferenciais, mas o desempenho depende de gradientes hidráulicos controlados entre a injeção e a extração, sendo melhor aplicada como campanhas direcionadas de aumento de eficiência.
O estudo destacou que:
- A DPE deve ser considerada a principal plataforma de recuperação para a remediação de zonas de fonte de LNAPL em áreas industriais complexas.
- A SVE pode dar suporte ao controle de vapores e remoção de massa, mas o Raio de Influência (ROI) do vácuo deve ser confirmado sob condições específicas do local.
- O aprimoramento térmico de baixa temperatura exige uma entrega confiável de energia e um espaçamento reduzido entre poços para produzir um aquecimento significativo.
- A lavagem por surfactante deve ser projetada como um processo de circulação hidráulica, e não como uma tecnologia apenas de injeção radial.
- O teste piloto deve avaliar os mecanismos, e não apenas a viabilidade operacional.
Em suas conclusões, o trabalho apresentado pela Cetrel na Battelle 2026 destaca que o teste piloto em fases forneceu uma base defensável para a otimização da remediação ao comparar a extração de vapor, a recuperação de fase dupla, o aprimoramento térmico e a lavagem por surfactante sob as mesmas restrições de campo; a DPE produziu a resposta integrada mais forte e é a tecnologia central mais adequada para a implementação em escala real neste tipo de cenário de zona de fonte de LNAPL; a injeção de vapor a baixa temperatura foi tecnicamente viável, mas termicamente limitada, com aquecimento efetivo restrito à zona vadosa próxima à injeção sob as condições operacionais avaliadas; a lavagem por surfactante mostrou-se operacionalmente viável e deve ser considerada como uma estratégia de aprimoramento direcionada quando combinada com extração controlada e captura hidráulica; e o gerenciamento futuro de longo prazo pode incorporar a NSZD (Natural Source Zone Depletion / Depreciação Natural da Zona de Fonte) ou métricas de atenuação monitorada após a redução adicional da massa de LNAPL e a estabilização das condições da zona de fonte.
Sobre a Cetrel
A Cetrel iniciou suas operações em 1978, junto ao Polo Industrial de Camaçari (PIC), na Bahia.
Atualmente, atua em diversos estados brasileiros, oferecendo soluções em água e efluentes, economia circular, resposta a emergências, monitoramento ambiental e gerenciamento de fontes de contaminação e de áreas contaminadas, sempre utilizando a inovação e a tecnologia em prol da gestão ambiental.
O portfólio completo, a experiência, a qualidade técnica, o atendimento e a abrangência nacional tornam a Cetrel uma das maiores e mais completas provedoras nacionais de soluções ambientais e de emergências, nos consolidando como o parceiro ideal no atendimento às demandas de meio ambiente da agenda ESG do setor industrial.
Saiba mais sobre a Cetrel em: https://www.cetrel.com.br
