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Teste piloto da Cetrel estabelece diretrizes estratégicas para o uso de Ozone Sparging em aquíferos impactados por BTEX

Durante a Battelle Conference 2026, realizada no primeiro semestre, no Texas (EUA), um dos fóruns globais mais importantes para o debate sobre a remediação de solos e águas subterrâneas, a Cetrel teve a oportunidade de apresentar três trabalhos técnicos  para as sessões oficiais do congresso. Entre as contribuições apresentadas, o estudo “Avaliação de Campo da Eficiência do Ozone Sparging para Oxidação Química In Situ em Aquiferos Impactados por BTEX”, elaborados pelos especialistas André Souza, André Pozzetti e André Rodrigues, demonstrou os fatores que favorecem ou limitam o sucesso dessa tecnologia por meio da comparação de dois testes pilotos realizados em cenários hidrogeológicos semelhantes.

Segundo os autores, o Ozone Sparging é uma tecnologia que combina a injeção de ozônio e ar para promover, simultaneamente, processos de oxidação, volatilização e oxigenação no subsolo. Por gerar o agente oxidante no próprio local e não deixar resíduos de reagentes persistentes, a técnica é adequada para compostos como benzeno, tolueno, etilbenzeno e xilenos (BTEX).

Contudo, a eficiência real em campo pode ser limitada por restrições hidrogeológicas e geoquímicas complexas. Fatores como a transferência de massa do gás para o líquido, a rápida decomposição do ozônio, colunas de água com pequena espessura saturada, a heterogeneidade da subsuperfície e, principalmente, a alta demanda de oxidante gerada pela matéria orgânica natural demandam uma avaliação prática detalhada. O objetivo da Cetrel foi comparar o comportamento do sistema sob diferentes condições de contaminação para balizar projetos de engenharia.

Configuração conceitual e visão geral dos testes pilotos

O estudo foi desenvolvido em um cenário hidrogeológico comum, caracterizado por um aquífero arenoso raso sobreposto a uma camada de argila orgânica e, mais profundamente, por uma base de argila marinha. Nesse ambiente, as condições da água subterrânea apresentavam lençol freático raso, forte influência salina e de maré, além de elevado índice de cloreto. Para a execução de cada piloto, a estrutura implantada contou com um sistema de injeção composto por cinco poços com difusores de bolhas finas e um gerador de ozônio com capacidade de 60 g/h. A rotina de monitoramento foi estabelecida por meio de amostragens semanais para a análise de Compostos Orgânicos Voláteis (COV), além da medição de parâmetros de campo realizada duas vezes por semana

O estudo dividiu o monitoramento em duas frentes distintas:

Área A: caracterizada por menores concentrações de COV, restritas apenas à fase dissolvida, sem nenhuma fonte identificada no solo e com menor demanda de oxidante da matriz. Operou com vazão média de 3,35 Nm3/h, pressão média de 0,45 bar e injetou uma massa total de 103 kg de ozônio, com disponibilidade de 94%.

Área B: apresentava contaminação em fase dissolvida e massa retida/sorvida, atuando como zona de fonte na interface entre a areia e a argila orgânica, o que resultava em uma maior demanda de oxidante. Operou com vazão média de 4,73 Nm3/h, pressão média de 0,66 bar, massa de ozônio injetada de 132 kg e disponibilidade de 94%.

A operação dos pilotos demonstrou estabilidade mecânica, sem registros de fraturamento indesejado do solo, mas expôs respostas geoquímicas e níveis de eficiência distintos entre as áreas.

Na Área A, o mecanismo inicial dominante foi a oxidação química, evidenciado pelo aumento imediato do Potencial de Oxirredução (ORP) de campo. O benzeno atingiu cerca de 100% de remoção na zona de influência direta dos difusores, mantendo-se estável e sem rebote nas concentrações após o desligamento completo do sistema.

Na Área B, o mecanismo inicial dominante foi o arrasto físico por volatilização (stripping). O potencial redox (ORP) registrou um aumento atrasado e, embora tenha ocorrido uma redução acentuada nas concentrações de benzeno no início da operação, o encerramento da injeção foi seguido por um fenômeno de rebote (rebound). Ao final, as concentrações se estabilizaram acima da meta de remediação almejada para o projeto.

O principal insight gerado pelo teste revelou que, em condições de zona de fonte, as camadas de baixa permeabilidade ricas em matéria orgânica e a presença de espécies reduzidas consomem o ozônio de forma acelerada, limitando a oxidação química e atrasando o processo de remediação. A difusão reversa, a partir da interface argilosa e as limitações de transferência de massa da fase sorvida foram os principais causadores do rebote na Área B.

Implicações para o projeto

A pesquisa apresentada na Battelle 2026 trouxe recomendações de alta relevância para o dimensionamento de sistemas baseados em oxidação gasosa in situ. O Ozone Sparging se mostra mais indicado e altamente eficaz quando aplicado como tecnologia única para plumas de BTEX em fase dissolvida situadas em zonas arenosas permeáveis; em zonas de fonte com alta retenção de massa e presença de matéria orgânica, a tecnologia não deve ser utilizada como solução isolada. Nesses cenários, ela deve ser integrada como uma etapa de  posterior a intervenções de redução de massa da fonte. Além disso, o sucesso de um piloto de ozônio deve ser interpretado em conjunto com a resposta dos parâmetros geoquímicos do aquífero, impedindo que reduções iniciais geradas por simples volatilização sejam confundidas com oxidação real definitiva.

O trabalho da Cetrel reforça o papel indispensável da execução de testes pilotos rigorosos e do mapeamento prévio da demanda de oxidante e posicionamento de difusores. Ao delimitar com precisão as restrições de campo, como a coluna de água rasa e a interferência de argilas orgânicas, a empresa fornece ao mercado industrial diretrizes claras para migrar de abordagens genéricas para aplicações estratégicas e customizadas, otimizando o tempo de operação e garantindo a sustentabilidade dos projetos de remediação.

Sobre a Cetrel

A Cetrel iniciou suas operações em 1978, junto ao Polo Industrial de Camaçari (PIC), na Bahia.

Atualmente, atua em diversos estados brasileiros, oferecendo soluções em água e efluentes, economia circular, resposta a emergências, monitoramento ambiental e gerenciamento de fontes de contaminação e de áreas contaminadas, sempre utilizando a inovação e a tecnologia em prol da gestão ambiental.

O portfólio completo, a experiência, a qualidade técnica, o atendimento e a abrangência nacional tornam a Cetrel uma das maiores e mais completas provedoras nacionais de soluções ambientais e de emergências, nos consolidando como o parceiro ideal no atendimento às demandas de meio ambiente da agenda ESG do setor industrial.